domingo, 22 de agosto de 2010

Precisa-se


Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito:

Precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la.

Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria.

É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais.

Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama.

Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos.

Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar.
P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros.

Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.
Clarice Lispector

MEU POEMA É UM CANTO DE GUERRA



Meu poema é da guerra
Que travei em mim por você.
Guerra a meiguice, a ternura,
Ao amor, a vida, a felicidade
E a ventura amados por você.
E sendo assim ele será um pranto.



Meu poema é da guerra
Travada por você para mim.
Guerra ao ódio, a morte, a tristeza
Ao desespero, ao vazio, a incerteza
Odiados por você.
E sendo assim ele será um canto.



Marcia Telma

Um mundo sem você



Vi... Um mundo... Uma cidade... Uma garota
Um mundo vazio... Uma cidade sem sol...
Uma garota sem risos
Um carnaval sem calor
Um carnaval sem sabor
Um carnaval sem amor.

E você chegou
Ficou...
Sambou...
Cativou...


E no carnaval houve calor...
Sabor...
Amor...

A cidade floriu...
O mundo surgiu...
A garota sorriu...

Vejo um mundo... Uma cidade...uma garota
Um mundo cheio de outros mundos
Uma cidade florida, Aalegre, festiva.
Uma garota feliz, sem lágrimas, sem dor.
Um mundo, uma cidade, uma garota
Uma garota mulher e você.
Verei... Um mundo sem você...
Uma cidade triste
Uma mulher sem vida, sem amor, sem sonhos
Uma mulher sem você...

Uma mulher que amou e foi amada
Que cativou e foi cativada.
Um dia viu-o partir
E na partida disse adeus
E no adeus foi sua própria vida.

Marcia Telma

sábado, 21 de agosto de 2010


MINHA VIDA EM SUAS MÃOS

Minha vida em suas mãos, meu amor,
O presente desejado, nunca antes fabricado
Eu ponho em suas mãos.Retenha
Com um gesto, um sorriso, uma carícia
A minha vida em sua vida.

Minha vida em suas mãos, meu amor
Desejos, ideais, sonhos e crenças
O meu destino com as esperanças
As minhas lágrimas,os sorrisos e as alegrias
Ofertadas por você...estão em suas mãos.

Minha vida em suas mãos, meu amor,
O meu mundo colorido,meu paraíso encantado
Deixo em suas mãos. E o que vai partir
Nãoé minha vida, meu paraíso, meu mundo.
É a carcaça de uma mulher.
As sobras sem alegrias
De alguém que amou, viveu a asté sofreu
Ao deixar...em suas mãos a vida
E nesta vida ficou tudo seu.

Marcia Telma

Umsonho... Uma realidade... Uma saudade


Ontem... Uma vida deserta, sombria e triste
Um mundo despovoado de sonhos e esperanças
Uma menina vazia, fútil, sem risos, sem graça
Sem carinho, sem amor, sem nada.

Hoje... você chegou...ficou e me amou
Você me deu tudo sem receber nada.
Hoje... uma vida de alegrias e de anseios
Uma vida com você... Uma vida para nós.

Amanhã... Amanhã restará uma saudade
De ter vivido sem ter sido nada, quando
se foi tudo. Uma saudade de não ter sido sua
E não sendo sua, deixei-o partir.

Depois... Distante talvez, restará em mim
a alegria dolorosa de ser embalada
com as mais doces canções. Crenças
no amor, em felicidades sem desavenças.
E compreender que para mim
Você não passou
De um sonho... Uma realidade... Uma saudade..
Marcia Telma



O MAIS SUAVE DOS CAMINHOS



Na subida íngreme do monte
Minha mão procurou a sua mão
Meu olhar buscou o seu olhar
E assim juntinhos, imaginei
Percorrer o mais suave dos caminhos.

Lá em cima contemplando a cidade
O rio, os montes, as matas verdejantes
O mundo se tornou outro mundo, e a vida
vazia, em poesia se transformou
Numa poesia só minha... só sua.

E tudo pareceu sublime e real
as coisas tornaram-se mais belas
vistas por mim e por você...por nós.
E na quietude embriagadora da amplidão
Amei as pedras, as folhas e os degraus
Corroídos de limo. Amei a vida.
Amei você...

Descemos assim juntinhos e enlaçados
Vimos o por do sol e este nos mostrou
Que a vida é outra vida
e os caminhos são mais suaves
Quando visto e percorridos a dois.

Marcia Telma


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VOCÊ DECIDE




Ela o amou quando era uma jovem entusiasmada universitária e ele um cavaleiro andante a trabalhar na construção de pontes e hidrelétricas por todo o país. Amor com poesia e com saudade... A distancia a afasta dele, que não resistiu aos momentos de solidão, preenchidas apenas por cartas de amor, que ela esperava com ansiedade. As cartas não preencheram o vazio da jovem universitária. Foram anos de separação, para que eles se buscassem e se encontrasse nas vésperas de sua formatura. O amor ainda era palpável e vibrante e ela decidiu que a alegria da vida social que levava não substituía o amor daquele homem romântico que a tratava como um bibelot. Resolveu então ir busca do que um dia, por inconseqüência juvenil, perdera.Deixar, sua carreira, sua família, sua vida social intensa e segui-lo, estrada à fora.O destino prega peças e faz um jogo em nossas vidas.Houve um desencontro.Não havia telefone na obra em que trabalhava...E ele não o encontrou no último endereço.A carta voltou.Ficou desesperada,em vão buscou os contatos, mas nada, tudo foi em vão...
Iniciou a vida profissional com sucesso. Fez-se respeitada, mas nas primeiras das suas férias, foi procurá-lo no Rio de Janeiro. A nordestina provinciana tomou um avião e cheia de fé e coragem seguiu em busca do amor perdido. Mas a viagem teve o sabor da derrota; o departamento de pessoal da empresa em que ele trabalhava só pode lhe dar uma informação:ele havia pedido demissão,e por conseguinte não poderia lhe dar o seu endereço.Normas da empresa. E agora? Só uma de suas cartas continha o endereço da sua família. E na caixa onde estavam guardadas, justamente esta, havia desaparecido.
Inconformada tentou viver e retomar sua vida. Casou, teve filhos e foi muito infeliz. Também pudera, vivia a vida numa ciranda sem canção, procurando vestígios desse amor perdido. o casamento não resistiu.Ela infeliz a procurar onde sabia existir uma obra na qual ele poderia estar trabalhando, procurava informações.Inútil... Precisava aceitar e tentar viver, tocar sua vida entre o trabalho, seus filhos, amores ocasionais e entre um cigarro e uma dose de gim tônica, a bebida com gosto de saudade.
Uma tarde chuvosa de agosto, o telefone ao lado de sua cama toca. Ela atende. E atônita ouve a voz. Aquela voz que havia procurado tanto... Ele se identifica, mas ela o reconheceria até numa noite escura, sem estrelas. Ouve, atenta, o que ele lhe repassa a saudade imensa que o acometeu todos esses anos.Um procura, sem querer ouvir,como estavam suas vidas.Ela diz estar só.Ele não.Doeu saber o inevitável.Diz para ele que o endereço é o mesmo da suas juventudes para que ele lhe envie uma poesia que fez, inspirado em uma das suas frases escritas nas velhas cartas de amor.
Os dias passam e com ansiedade abre o envelope e lê a poesia. Linda! Mas, atrás havia um lembrete: “cuidado ao responder, minha mulher pode ler”.Desilusão total...Incredulidade...Por que? Se está casado donde a saudade e esta procura?Não... Não deve ser assim... A vida deve seguir e nesse percurso descobre estar com câncer nas cordas vocais... Na peregrinação entre hospitais, tratamentos, muda o telefone. Não quer ser perturbada em sua dor por um homem comprometido. Mas ele a descobre e insiste. E vence o seu cansaço pela insistência e pelos e-mails inocentes.
Após sete anos ela resolve encontrá-lo.Uma cidade neutra, distante da sua, mas quando o vê,sente que o amor é o mesmo que sentia quando namoraram há 30 anos atrás.Trêmula e palpitante vai ao seu encontro.Mas a aliança está no seu dedo.o que este homem quer? Ele é feliz?As perguntas ficam presas na garganta e ela não ousa falar. Ouve... Só ouve... Fria e procurando manter-se distante. Até que ele a beija. Emocionada ela se descobre viva após tantos anos de solidão e capaz de sentir desejos guardados e esquecidos. Vive um final de semana de sonhos e fantasias onde puderam dar vazão a todos os seus desejos mais íntimos, apesar das dúvidas e da aliança que ele continua a usar.Uma provocação que ela não ousa revidar.O homem que a toma nos braços e a ama com intensidade como ela sonhava e fantasiava em suas poesias,está ali,palpável e é real.Ela ao seu lado tem medo de dormir para não perder o momento de felicidade.
Este homem que publica poesia na internet para ela, que a faz vibrar como acordes de uma sinfonia perfeita, este homem tem outra. E agora?
Com quem ele deve ficar?Com o amor que ele buscou e cultivou em silencio todos esses anos, ou persistir num casamento sem o sonho, a poesia, a inspiração, mas que o mantém preso em uma aliança que no fundo é uma algema de ouro?
E ela, como resolver no seu coração esse amor que a sua razão condena .O que fazer?Como dizer não a um amor que a despertou para a vida ela que se julgava morta? Como se afastar dos sonhos de uma vida?
E, agora, você decide...


Marcia Telma