quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VOCÊ DECIDE




Ela o amou quando era uma jovem entusiasmada universitária e ele um cavaleiro andante a trabalhar na construção de pontes e hidrelétricas por todo o país. Amor com poesia e com saudade... A distancia a afasta dele, que não resistiu aos momentos de solidão, preenchidas apenas por cartas de amor, que ela esperava com ansiedade. As cartas não preencheram o vazio da jovem universitária. Foram anos de separação, para que eles se buscassem e se encontrasse nas vésperas de sua formatura. O amor ainda era palpável e vibrante e ela decidiu que a alegria da vida social que levava não substituía o amor daquele homem romântico que a tratava como um bibelot. Resolveu então ir busca do que um dia, por inconseqüência juvenil, perdera.Deixar, sua carreira, sua família, sua vida social intensa e segui-lo, estrada à fora.O destino prega peças e faz um jogo em nossas vidas.Houve um desencontro.Não havia telefone na obra em que trabalhava...E ele não o encontrou no último endereço.A carta voltou.Ficou desesperada,em vão buscou os contatos, mas nada, tudo foi em vão...
Iniciou a vida profissional com sucesso. Fez-se respeitada, mas nas primeiras das suas férias, foi procurá-lo no Rio de Janeiro. A nordestina provinciana tomou um avião e cheia de fé e coragem seguiu em busca do amor perdido. Mas a viagem teve o sabor da derrota; o departamento de pessoal da empresa em que ele trabalhava só pode lhe dar uma informação:ele havia pedido demissão,e por conseguinte não poderia lhe dar o seu endereço.Normas da empresa. E agora? Só uma de suas cartas continha o endereço da sua família. E na caixa onde estavam guardadas, justamente esta, havia desaparecido.
Inconformada tentou viver e retomar sua vida. Casou, teve filhos e foi muito infeliz. Também pudera, vivia a vida numa ciranda sem canção, procurando vestígios desse amor perdido. o casamento não resistiu.Ela infeliz a procurar onde sabia existir uma obra na qual ele poderia estar trabalhando, procurava informações.Inútil... Precisava aceitar e tentar viver, tocar sua vida entre o trabalho, seus filhos, amores ocasionais e entre um cigarro e uma dose de gim tônica, a bebida com gosto de saudade.
Uma tarde chuvosa de agosto, o telefone ao lado de sua cama toca. Ela atende. E atônita ouve a voz. Aquela voz que havia procurado tanto... Ele se identifica, mas ela o reconheceria até numa noite escura, sem estrelas. Ouve, atenta, o que ele lhe repassa a saudade imensa que o acometeu todos esses anos.Um procura, sem querer ouvir,como estavam suas vidas.Ela diz estar só.Ele não.Doeu saber o inevitável.Diz para ele que o endereço é o mesmo da suas juventudes para que ele lhe envie uma poesia que fez, inspirado em uma das suas frases escritas nas velhas cartas de amor.
Os dias passam e com ansiedade abre o envelope e lê a poesia. Linda! Mas, atrás havia um lembrete: “cuidado ao responder, minha mulher pode ler”.Desilusão total...Incredulidade...Por que? Se está casado donde a saudade e esta procura?Não... Não deve ser assim... A vida deve seguir e nesse percurso descobre estar com câncer nas cordas vocais... Na peregrinação entre hospitais, tratamentos, muda o telefone. Não quer ser perturbada em sua dor por um homem comprometido. Mas ele a descobre e insiste. E vence o seu cansaço pela insistência e pelos e-mails inocentes.
Após sete anos ela resolve encontrá-lo.Uma cidade neutra, distante da sua, mas quando o vê,sente que o amor é o mesmo que sentia quando namoraram há 30 anos atrás.Trêmula e palpitante vai ao seu encontro.Mas a aliança está no seu dedo.o que este homem quer? Ele é feliz?As perguntas ficam presas na garganta e ela não ousa falar. Ouve... Só ouve... Fria e procurando manter-se distante. Até que ele a beija. Emocionada ela se descobre viva após tantos anos de solidão e capaz de sentir desejos guardados e esquecidos. Vive um final de semana de sonhos e fantasias onde puderam dar vazão a todos os seus desejos mais íntimos, apesar das dúvidas e da aliança que ele continua a usar.Uma provocação que ela não ousa revidar.O homem que a toma nos braços e a ama com intensidade como ela sonhava e fantasiava em suas poesias,está ali,palpável e é real.Ela ao seu lado tem medo de dormir para não perder o momento de felicidade.
Este homem que publica poesia na internet para ela, que a faz vibrar como acordes de uma sinfonia perfeita, este homem tem outra. E agora?
Com quem ele deve ficar?Com o amor que ele buscou e cultivou em silencio todos esses anos, ou persistir num casamento sem o sonho, a poesia, a inspiração, mas que o mantém preso em uma aliança que no fundo é uma algema de ouro?
E ela, como resolver no seu coração esse amor que a sua razão condena .O que fazer?Como dizer não a um amor que a despertou para a vida ela que se julgava morta? Como se afastar dos sonhos de uma vida?
E, agora, você decide...


Marcia Telma

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Volta



Fostes brilhar longe, longe...
Pra mim, tu te perdeste!
Criastes asas e partiu...
O dia ficou sem brilho, sem luz
Sem mais fogo e sem mais cor!
As manhãs não são mais as mesmas
Faltam os teus sorrisos, os teus abraços...
Hum, o teu perfume!
Então vem a tarde
e vejo que falta àquelas horas
de conversas jogadas fora...
Ai como era bom...
Vem também à noite,
E me vejo só com a solidão.
Fico louco ao pensar
Em teus beijos...
beijos de amor e paixão...
Toda a Noite, a noite toda...
E mais um dia também.
De repente sinto uma brisa que diz:
“Ela não volta, ela não vem!”.
Então mais um dia se repete
e eu aqui sozinho sempre a pensar
, as noites estão tão frias,
tão frios e tristes o luar.
É tu partiste...
Tudo está deserto,
silencioso, calmo e sem luz!
O grilo canta, o vento abala a vidraça!
Passa o vento, passa a noite, passa o dia,
A vida passa!
E na minha cabeça o que se passa?
O que fostes fazer tão longe,
tão longe de mim, tão longe de nós
Volta, tudo está morrendo
Eu sei que está morrendo
o meu, o seu, o nosso amor.

Ricardo Ramos
(estudante de Serviço Social)

domingo, 15 de agosto de 2010




Não me deixe ir, posso não mais voltar...
Não tente me contrariar, tenho palavras que machucam...
Não me decepcione, nem sempre consigo perdoar...
Não espere me perder para sentir minha falta.


(Clarice Lispector)

sábado, 14 de agosto de 2010



Fiquei nas pontas dos pés Para tentar ficar mais alta. Abri e fechei os braços imitando o bater de asas de uma borboleta. Fui repetindo simultaneamente estes dois movimentos ao som de uma leve música. Ao fazer isto, transformei-me em uma bailarina. Preciso confessar que foi bem assim que aprendi a voar. Desde então, desaprendi propositamente a andar.



(Helô Strega )



ADVERTENCIA

Olhe, meu amigo, por favor,
reflita bem e pense com carinho
no que eu quero lhe pedir:
Se você encara a vida
por outro prisma,
se as mulheres são copos descartáveis
e apenas preenchem bons momentos.
Se o amor é apenas uma questão
de atração física
que liga dois corpos
e depois um breve adeus
sem até logo ou até mais ver...
Procure ouvir o que vou dizer:
Eu não vivo de momentos.
Cada pessoa tem seu valor
sentimentos, afeto, dignidade.
Amor é encontro de espíritos
Afinidades e afeição.
Sexo é uma decorrência
O complemento ideal para o amor
Mas não é tudo.

Olhe meu amigo, atenção
Uma amizade tudo vale
Preenche a vida, enriquece...
E se pensamos diferentemente
Vamos ser amigos simplesmente.

Marcia Telma

quarta-feira, 11 de agosto de 2010



Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando á pé pra casa, avariada.

Eu sei,não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Telvez este seja o ponto. Talvez eu Não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu patio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória,sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.

Não era amor,era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. NÃO ERA AMOR, ERA MELHOR"

Martha Medeiros

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

PALAVRAS DE UMA MULHER APAIXONADA


Quero partir com o homem que amo.

Não quero pensar no que este amor custará.

Não quero perguntar se ajo insensatamente.

Não quero saber tampouco se ele me ama.

Quero partir com ohomem que amo.



Bertolt Brecht