sábado, 3 de novembro de 2012


                                               ACALANTO


                                           Aquece-me com tuas penas
                                           Ficarei aquecida e amparada...
                                           Acalanta-me com o teu canto
                                           E dormirei tranquila
                                           Como se fosse o ventre materno.
                                                                   
                                                                      Marcia Telma

domingo, 6 de maio de 2012

A FELICIDADE


A FELICIDADE

Hoje estou refletindo ao som de músicas que refrigeram a alma sobre a felicidade. E a vejo de uma forma egoísta, porque esta só é minha...Eu nunca fui tão feliz assim...Não a felicidade inconseqüente da jovem adolescente que se atira ao amor como se estivesse andando de asa delta .

Não... a minha felicidade tem o sabor do vinho amadurecido pelos velhos toneis de carvalho e guardados em adegas frias e subterrâneas...A minha felicidade tem os arroubos de uma criança descobrindo a vida e a maturidade de quem alcançou a plenitude da vida.

A minha felicidade tem o sabor das comidas gostosas da cozinha da minha avó  Adélia e a sabedoria da minha Mãe Tina, que sempre desculpava aqueles a quem amava e nos aconselhava com palavras do Livro do Eclesiastes.

A minha felicidade tem as cores das feiras de segunda -feira da minha cidade( uma redundância, hem) e os sons dos encantadores de cobra que lá ficavam a vender suas mezinhas.

A minha felicidade tem a nostalgia dos finais de tarde na rua da frente em Pão de Açúcar, vendo as canoas enfunado as suas velas e levando os meus suspiros juvenis,as crianças brincando nas calçadas com seus trajes vespertinos.

A minha felicidade tem o cheiro dos lençóis perfumados que eu me envolvia quando criança na casa da minha avó ao deitar-me, mas sem antes rezar o santo Anjo do Senhor.

A minha felicidade tem todos as cores e sabores de quem muito viveu a vida, valorizando cada minuto, cada segundo, vivendo intensamente.Não sou de meio termos.Sou eu, intensa,imediata, vibrante como o nosso sol. Da vida vivi até o último instante que me foi permitido viver, sem restrições, sem falsos pudores. 

E hoje me descubro feliz!!! Intensa !!! Viva e pulsante!!! Hoje descubro que sou feliz, posso ser feliz e viver essa felicidade com a segurança que só os anos vividos com intensidade podem me proporcionar.

Eu sou feliz!!!

domingo, 4 de dezembro de 2011


SOCORRO! ELE MORREU!!!

Em uma cidade os casarios, as ruas, as praças fazem parte da vida e da história de cada um dos seus habitantes. Pão de Açúcar, por ser tão peculiar e inusitada desde sempre se destacou por sua cultura, sua música, sua poesia. E não podia ser diferente, afinal até o seu nome tem poesia e narra um amor não correspondido: Jaciobá que significa espelho da lua.A Lua namorando o espelho d’água do rio São Francisco;

E nos reportamos ao falar em história ao hospital do SESP,o nosso hospital, como ficou conhecido nacionalmente e hoje traz o nome de quem muito se dedicou ao seu crescimento e bom funcionamento. Este prédio que faz parte da história da nossa cidade viu passar por suas portas fatos que ficaram registrados no cancioneiro popular. Neste hospital os melhores médicos da Fundação Nacional de Saúde marcaram presença e os estagiários da UFAL adquiriram sua prática na sala de emergência e nas cirurgias memoráveis em um centro cirúrgico simples, mas rico de experiências.Neste hospital vi meu pai resistir a um edema pulmonar assistido por Dr.Heitor Moreira de Albuquerque e uma equipe de enfermagem que se destacava pela sua eficiência e educação.Nessa época os funcionários eram exemplo e seguiam a risca os princípios preconizados pelas normas vigentes. Era um templo sagrado da saúde! Silêncio nos corredores, limpeza absoluta a se refletir nos uniformes impecáveis. Cresci vendo esse hospital ser uma referencia na saúde e ponto de encontro das crianças que passavam os finais de tarde a se balançar nos balanços do parquinho infantil e dos adolescentes que vinham namorar nos seus jardins. Ele comportava tudo! Nesse hospital nasceu meu filho e na época eu poderia ter escolhido um centro médico que oferecesse mais conforto, mas fiz a opção de ter ao meu lado médicos como o meu obstetra Dr. Djalma Gonçalves e Dr. Edilson Teodoro de Melo Castro como anestesista, além de enfermeiras como Emília, Cosete, Aparecida Almeida além do pessoal da limpeza e cozinha representados por Maria Odete e Ivone

Nesse hospital aconteceram crimes horrendos em sua entrada e vi minha amiga ficar viúva por excesso de medo dos funcionários que fecharam a porta tarde da noite e não conseguiram abrir , apavorados.

Nossa vida desenvolveu-se nas visitas ao hospital e no bom atendimento recebido. Nesse hospital vi meu pai morrer assistido por médicos competentes e dedicados como Dr. Eraldo Loureiro e Edson Moura e sou muito grata pelo carinho recebido naquele momento de dor. Mas, nesse hospital tive a felicidade de assistir ao nascimento do meu neto. Não era mais aquele hospital que nós nos orgulhávamos tanto ,mas era o nosso hospital.As pessoas não o citavam mais como referencia mas era nosso e nós a amávamos.

Esse hospital também viu a minha mãe partir...

Quando o filho do meu médico, o meu amigo e compadre assumiu a direção do hospital julguei que nós pãodeaçucarenses estaríamos em boas mãos e a nossa saúde com certeza iria estar em busca de melhores dias, mas ledo engano! O meu amigo e compadre não se revelou como gestor de saúde pública, apesar de ser um bom médico, competente e preciso em seus diagnósticos. Mas eu ainda estava a crer que como gestor municipal e médico com certeza poderíamos ter uma saúde de qualidade.E melhores dias viriam...Mais um engano grasso.

Meu Deus! Ao ler na comunidade Eu conheço Rogério Lima o tópico referente ao fechamento do hospital não quis acreditar. Pus o telefone para funcionar e liguei para os meus amigos, mas a noite constatei com tristeza a veracidade da informação: os pacientes foram enviados para outros hospitais e os que estavam apresentando melhoras foram enviados para suas casas.Entrei em pânico: o que seria das pessoas pobres da nossa cidade que não possuem planos de saúde nem dinheiro para enfrentar uma viagem e o atendimento em uma cidade estranha?

Com a idade vamos- nos dedicando a filosofar e buscamos a sabedoria e aprendemos com ceticismo que o poder modifica o caráter das pessoas e o juramento feito não tem valor quando se fala em $$$.Quantos médicos querem nos representar como chefes municipais?Quantos estão se propondo a salvar o hospital em um momento que ele estava agonizando? Um plantão em uma noite de sábado para quem quer ser reconhecido por uma cidade seria de assaz importância no currículo político de um médico e o nosso gestor deixaria o conforto de sua fazenda e assumiria os plantões de final de semana até o hospital sair da UTI.È preciso às vezes sair da egocentricismo que vivemos e dar mais do que nos propomos.É investir no futuro.Mas nenhum dos futuros candidatos resolveu abrir mão das suas tabelas honorárias e se dispôs a dar uma injeção no moribundo.

E agora, quem deixou o hospital morrer?


Marcia Telma

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Telha de vidro






Telha de vidro
No meu telhado
Janela aberta
Para um novo mundo.
Que vejo na telha
Perdida na noite?

É a estrela brilhante
De cor cintilante
Que olha, sorri
E fala chorando
a estória da fada.

Fada encantada
De minha estrela
Ouve o meu pedido
Escuta a minha prece.

Estou amando
Sou tão feliz!
Serei mais feliz?
Ele será meu?
Use a varinha
E nos uma para sempre
Fada encantada
da minha estrela.

E a estrela ri...
Como ela ri...
A fada partiu
A estrela ficou.

Na telha de vidro
No meu telhado
Há uma estrela
Estrela tão só
Estrela sem fada
Sem amor, sem nada.
Estrela não tenho fada
Tenho o amor, tenho nada.


Marcia Telma

A árvore e nós...




Lembras-te da nossa árvore, pousada
De amor? Lembras-te dos nossos sonhos
Ilusões? Ali senti que o amava,
Ali o beijei, abraçamo-nos risonhos.

Nossa árvore... Velha árvore confidente
O rio, as canoas, a amplidão do céu
Cenários de luz [para um poema de amor...
Em tua sombra conquistei o mundo, ardente
Desilusões, esperanças... E me tornei mulher
.

Nossa árvore... Discreta, silenciosa
Não ousou jamais tentar me censurar
mesmo sabendo que eu estava errada
em não dizer-te meu, sem saber ao certo
quando algo me impelia a creditar.

As lavadeiras ao sol, os pássaros a voar
Tu e eu... A velha árvore, a nos olhar
sorrindo contente, vendo-nos felizes
Sem imaginar que se ontem éramos nós
Hoje somos eu e tu... E há uma
enorme distancia a nos separar.


Marcia Telma

domingo, 5 de setembro de 2010

DECISÃO



Não quero o seu amor de fantasia
Não quero suas palavras vazias
Não quero mais sofrer a ausência.
Não. Eu quero mais e mais.
Quero viver intensamente os dias
Quero preencher de calor às noites
Povoadas de insônia e solidão.
Eu quero mais...
Mereço mais do que um amor furtivo
Beijos roubados
Encontros malogrados...
Hoje eu decidi me amar
E não amar você.

Marcia Telma

Bilhete



Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amado,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
e....AMOR É SÍNTESE

( Mário Quintana)