domingo, 30 de março de 2008

SAUDADES


SAUDADES



Folhas mortas pelo chão
chuva de inverno
no meu coração.

Marcia Telma

domingo, 23 de março de 2008

UM ESPAÇO PARA VIVER

Marcia Telma

Um café apressado pela manhã,porque acordou atrasado, sair correndo (irritado consigo mesmo por ter que começar o dia assim), chegar ao trabalho estressado com o trânsito e de mau humor,é o inicio de uma agenda:ginástica,aula de informática, curso de inglês,telefonar para a prima, ir ao dentista, levar a roupa na lavanderia e por conseguinte uma infindável sucessão de obrigações monótonas e entediantes onde só cabem a seriedade e organização. E onde o prazer, a aventura, a alegria de viver?

E você?É também previsível e repetitivo,cronometrando seus horários e encontrando sempre as mesmas pessoas? Todo o mundo pode ser surpreendente e espontâneo. Já pensou na criança levada que foi, dada a aventuras e travessuras? Que tal deixar um dia que a criança renasça e fazer algo inesperado, deixando a agenda autoprogramada de lado, sem planos e horários estabelecidos deixando que o imprevisível nos surpreenda?

Seu corpo está pedindo para dançar? não é tão difícil assim...Telefone para alguém e passe uma noite no embalo.Ou está com vontade de ir à praia? decerto há um amigo ou amiga que também está querendo passar um final de semana inesperado naquela prainha.

Muitas pessoas reclamam da vida tediosa, mas passam o sábado e o domingo, limpando, arrumando apartamento e gavetas desejando que algo especial aconteça. mas é preciso dar um empurrãozinho na sorte e reaprender a ser espontâneo .

Deixe-se levar por impulsos e procure aventurar-se pela cidade.Há tanto que se ver e nós não nos interessamos em nos deter um pouco e conhecer o que não consta dos guias. Visitar uma exposição ou um museu, pode nos proporcionar uma visão diferente das coisas, como também oportunidades inéditas de ampliar nossas amizades. Nunca se sabe.

O segredo é começar a alterar os seus hábitos.Acordar um pouquinho mais cedo, tomar um café da manhã especial e sem pressa,inovando a sua agenda. Um telefonema para aquela amiga do colégio, um jantar num restaurante desconhecido, aceitar um convite para um show, ir ao teatro, reservar tempo para aprender algo diferente..O importante é ousar,é investir.A vida pode não ser o máximo, mas valerá a pena, se acreditarmos nisso

sábado, 22 de março de 2008

SINTONIA


Estou repleta de você ,na noite de encanto

estou plena de amor,cheia de desejo e canto

estou vibrando como eternas cordas sonoras

estou feliz! Reencontrei você... e no entanto

**

Não importa o tempo, não importam as horas

hoje eu lhe encontrei! E assim sintonizados

minh’alma entoou cânticos secretos,exaltados

há milênios através dos séculos guardados.

***

Nada acontece ao acaso, certamente

se nossos espíritos se encontraram em euforia

os nossos corpos se buscarão eternamente

****

E na beleza desse reencontro perfeito

eu e você, juntos,possamos desse jeito

viver outra vida, outro amor em sintonia.


Marcia Telma

terça-feira, 18 de março de 2008

Células-tronco: ciência e bom senso


| Eduardo Dantas

*

Ainda sob o efeito do brilhante voto do Ministro do STF, Carlos Ayres Britto, proferido no último dia 5 de março durante o início do julgamento da ação que vai decidir sobre a liberação ou não do uso de embriões congelados para pesquisas com células-tronco embrionárias, é possível dizer que iniciamos um novo momento em nosso direito.
Pela primeira vez, na história mundial, um tribunal constitucional está a debater o momento do início da vida, lançando esclarecimentos sobre diversos conceitos que, embora essenciais, são imprecisos em nosso ordenamento jurídico, como o direito à vida, e a dignidade da pessoa humana. O relatório e o voto, em suas 72 páginas, formam um libelo irretorquível, recolocando bom senso em um debate que extrapolou os limites do direito, fortemente influenciado por convicções religiosas.
O argumento religioso, como toda opinião em uma democracia, deve ser respeitado. Todavia, sua imposição ao conjunto da sociedade, como se pretende, é anacrônica e inaceitável.
A religião católica é tradicionalmente maniqueísta, o que lhe impede de ter o equilíbrio necessário para admitir os imensos benefícios destas pesquisas frente a possíveis problemas que delas possam advir.
Em sua postura intransigente e absolutamente particular sobre onde começa a vida, a Igreja Católica parece se esquecer completamente de quantas vidas imolou no insano desejo de “purificar” almas durante o período da inquisição, aqueles, sim, seres humanos nascidos, conscientes e que sentiram a dor de serem torturados e queimados vivos simplesmente por não concordarem com quem se autoproclamava procurador de Deus.
Da mesma forma, agora, ela propõe que se deixem seres humanos nascidos e conscientes perecerem com doenças terríveis no disparatado pressuposto católico da felicidade da alma pelo sofrimento da carne, enquanto defendem a preservação de um amontoado de células que, sequer, possuem um sistema neural e se multiplicam não por vontade própria, mas por pura indução biológica
semelhante, no processo, a um tumor.
Interessante perceber que a ação busca impedir as pesquisas com células-tronco embrionárias, mas nenhuma menção é feita ao descarte destes embriões, que, se não utilizados para salvar vidas, irão para o lixo. Jogar fora pode?

segunda-feira, 17 de março de 2008

A SÊCA É A PESTE ?


Homens sujos e rasgados nas caatingas

crianças amarelas, barrigudas e feias

mulheres desgrenhadas,asquerosas, magras

que trazem nos olhares um cansaço dolente

cansaço que fere e que mata

a quem não tem água e nem fura um poço.

Chegaram à cidade os pobres coitados

tão sujos...tão magros...tão feios...

Retirantes!... gritaram os donos da vila

Que invasão! Que barbaridade!

-Não temos comida ,trabalho,

nem roupa velha. Estamos sem nada,

outra cidade mais rica,certamente

lhes darão de comer. Vão embora!

E lá se vão os pobres coitados

caminhando pela estrada mansamente

tão cansados... aonde chegam são expulsos

caras tão mal encaradas

não quero na minha fazenda!

As crianças tombam pelos caminhos

depois de comerem raiz de capim

ou o fruto do xiquexique.

febre amarela e diarréia

nos velhos.Nos jovens,esperança!

Esperança de retirante!

É a água. Um oásis de paz

e abundancia. Com um milharal

imenso, um roçado de feijão

e melancia, além da mandioca.

Esperança de retirante!!!

éter uma terra só sua

uma casa de barro, enxada

mulher barriguda e bruguelos.

Peste dos sertões!

Quando chega a seca

os donos dos engenhos e fazendas

Fecham as porteiras.

Retirantes! É a peste...

A peste amarela.

Marcia Telma

HISTÓRIA DE UM RIO



Eu nasci um filete d’água

nas montanhas esplendorosas

das Minas Gerais.

Deram-me o nome do santo

padroeiro da natureza e dos animais,

e por São Francisco fiquei.

*

Desafiando a gravidade

subi o Brasil rumo ao nordeste

região pobre do meu país.

Passei por locais desconhecidos

altas pedreiras, corredeiras profundas

sofri o impacto de desabar

dos rochedos em cascatas,

formando um cenário

de rara beleza...

*

Eu vi coisas de assombrar...

e coisas que gosto de relembrar...

os índios Urumaris nas noites de luar

me viam como um espelho de prata

para Jaci ( lua ) admirar.

*

Assim nasceu Jaciobá

cantado e decantado pelos poetas,

que os portugueses denominaram

de Pão de Açúcar ,

cidade branca dos mil amores.

*

Com tristeza eu vi e pranteei

a luta dos Xokós

expulsando os Urumaris.

Lampião e Maria Bonita vinham

em minhas águas se banhar.

*

E os casais de namorados

que rolavam nas noites escuras

em minhas areias ardentes do sol ?

meninos eu vi tanta coisa

que dá tristeza lembrar.

*

Havia os grandes navios

O Peixoto e o Peixotinho

e o famoso Moxotó

que naufragou lá na ilha.

Havia as canoas de tolda

que deslizavam a vagar.

Havia os barcos de pesca

com seus pescadores a remar.

*

De repente o progresso

veio comigo implicar.

Surgiram as fábricas, as represas,

e captaram minhas águas,

para as terras irrigar.

*

Os esgotos e a sujeira

vieram em mim desaguar

e os meus peixes, que horror!

começaram a sofrer

dos camarões nem lhes falo

pois não puderam viver.

*

Hoje vivo de memórias

de um passado rico e nobre

pois nem a lua Jaci

vem em mim se mirar.

E os amantes, coitados

em meio à poluição

procuraram outro lugar.

*

Esta é a triste história

de um rio que se chamou

São Francisco

e hoje é conhecido

apenas como velho Chico.

*

E você que está aí

o que se propõe a fazer

que se perderam no mar.

para salvar este irmão

que sofre e chora cansado

o pranto de suas águas

**

Marcia Telma

PRIMAVERA DE SAUDADES


Hoje eu vi as flores
serenas
tranqüilas,
agitadas pelo vento
suave.

hoje, eu vi as flores
lembrei você.
Suas mãos,
seu olhar,
seu rosto.

E chorei...

Hoje eu vi as flores
e entre lágrimas
compreendi...
Você passou
por mim,na minha vida
e deixou
tal como o vento
uma saudade.

Marcia Telma